quinta-feira, 7 de junho de 2012

Muçarela x mussarela

Pergunta recorrente entre as pessoas indignadas com a palavra “muçarela”:
 - Por que mudar a grafia de mussarela para essa muçarela que parece não ter o mesmo molho, e muito menos o mesmo sabor que a antiga escrita?
Tenho uma amiga que se recusou a modificar o modo de escrever suas pizzas no cardápio com medo de perder a freguesia, quando me pediu que revisasse o “menu”. Disse ela, desconcertada: “acho melhor deixarmos com ”ss” mesmo... As pessoas podem não entender e não pedirem mais as pizzas...”
Tudo bem! As pessoas podem não pedir mais as pizzas...
Mas vamos entender o motivo de as pizzas de muçarela serem escritas com "ç" e não com "ss"...
As pessoas que não gostam muito de Português costumam argumentar que esta disciplina não possui regras que devamos seguir, é cheia de exceções... Mas neste caso, o da “muçarela”, nossa língua procura buscar ao máximo a regra gramatical apresentada na língua portuguesa. Vamos a ela:
As palavras derivadas de substantivos com a letra “z” são substituídas pela letra “c” ou pelo “ç”.
Ex.: feliz – felicidade; fazer – faça...
Partindo desta REGRA da nossa Língua, a palavra muçarela, derivada do italiano mozzarella, transforma a letra “z” em “ç” e NUNCA em “SS”.
Perdoe-nos, restaurantes, mas modifiquem seus tradicionais cardápios para seguir nossa tão linda Lingua. Caso contrário, querendo ser um eterno conservador, opte por “mozzarella”. Suas pizzas ficarão chiques e corretas na grafia. Seguindo o idioma italiano, estarão seguindo a culinária original; mas optando pela língua portuguesa, lembre-se, é SEMPRE com “ç”, muçarela!

Bom apetite! =)

sexta-feira, 29 de julho de 2011

A Carroça Vazia


Eis mais uma dessas belas histórias de sabedoria... Aprecie, compartilhe e deixe fluir em sua vida...


Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer.

Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.
- Isso mesmo - disse meu pai - é uma carroça vazia.

Perguntei ao meu pai:

- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?
- Ora - respondeu meu pai - é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando para intimidar, tratando o próximo com grossura, de forma inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e, querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz...



Agradeço o envio e a contribuição da amiga Marisa, de Bauru/SP.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Despedida do TREMA


Recebi por e-mail, de uma amiga querida de Curitiba, a Lúcia, este texto fantástico que já deve estar sendo veiculado na Internet, e resolvi dividi-lo com vocês. É realmente muito bom!

Despedida do TREMA

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim. Eu sou o trema. Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali, na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüentas anos.
Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos! Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!...
O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio... A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. Os dois pontos disse que seu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele fica em pé.
Até o cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também tem aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos, fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?... A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K e o W, "Kkk" pra cá, "www" pra lá.
Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que aliás, deveria se chamar TÜITER. Chega de argüição, mas estejam certos, seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou "tremendo" de medo. Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o alemão, lá eles adoram os tremas. E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar!...
Nós nos veremos nos livros antigos. saio da língua para entrar na história.

Adeus,
Trema.

sábado, 5 de março de 2011

O Amor e o Barqueiro

Quando criança, amava ouvir as belíssimas histórias contadas por meu avô, português, que veio ao Brasil aos vinte e dois anos com um tio a fim de conhecer o país e nunca mais retornou às Terras Lusitanas, vindo a morrer aqui, em Brasília, em 1995.

Meu avô, como tantos outros avós maravilhosos, contava-me histórias extraordinárias! Mas tinha algumas que me eram tão especiais, que pedia a ele que as repetisse sempre, chegando ao cúmulo de dizer-lhe que as queria guardadas em minha memória para que, no dia em que ele se fosse, as pudesse ter gravadas na memória...

Eis uma dessas histórias que me deixaram lembranças boas e que, agora, quero reparti-la com você:


O Amor e o Barqueiro¹

O Amor queria atravessar um rio e avistou um barqueiro. Ele pediu ao barqueiro:
- Por favor, me leve à outra margem do rio.
Mas o barqueiro, triste, lhe respondeu:
- Sinto muito, mas não posso passá-lo para lá.

Então ele avistou um outro barqueiro a frente, e pediu:
- Por favor, senhor, me leve à outra margem do rio.
O barqueiro, em tom seco e arrogante, respondeu-lhe:
- Não! Não vou passá-lo à outra margem!

O Amor, então, desanimado, avistou um terceiro barqueiro, muito velho, mas que nem esperou que o Amor lhe dirigisse a palavra e foi logo dizendo:
- Venha, meu jovem! Entre aqui que o levarei ao outro lado!

O Amor, agradecido, perguntou ao barqueiro:
- Você conhece aqueles outros barqueiros?
- Sim, os conheço.
- E por que eles não me quiseram levar? – Indagou o Amor.
- O primeiro barqueiro – respondeu-lhe – é o Sofrimento. O Sofrimento não faz passar o Amor.
- E o segundo?
- O segundo barqueiro é o Desprezo. O Desprezo também não faz passar o Amor.
- E tu? Quem és? – Perguntou, já curioso, o Amor.
- Eu sou o Tempo. E só o Tempo faz passar o Amor.

¹ Conto de Malba Tahan.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Dica da semana - Minúsculas


Na língua portuguesa os dias da semana, os meses, e as estações do ano são escritos com inicial minúscula. Veja:

• Brasília, 21 de janeiro de 2011.

• Hoje é quarta-feira!

• Estamos na primavera!

É claro que esta regra cai quando estas palavras estão no começo de uma frase:

Maio é o mês das noivas.

Sexta-feira 13 estreia nos cinemas nesta sexta-feira.

Até mais!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Presidente ou presidenta?

Uma das celebridades que mais admiro chama-se Dad Squarisi. Ela assina uma coluna sobre dicas de Português em 15 jornais no Brasil, tem obras enriquecedoras publicadas, e é capaz de atingir crianças, jovens e adultos com seu estilo simples e direto de escrever seus textos ensinando nossa apaixonante Língua com humor.

E é com base em um de seus textos, e movida pelos recentes acontecimentos de nossa política, que hoje escrevo:

Presidente ou presidenta?

As duas formas são aceitas, já que ambas constam no VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa) e são linguisticamente corretas. O que ocorre, no caso de adotar esta ou aquela forma, é uma questão de preferência pessoal.

No Brasil, há uma predisposição em assumir a forma comum aos dois gêneros – a chefe, a parente – já que as formas a chefa ou a parenta parecem ter conotação pejorativa.

No entanto, a inclusão da desinência feminina aos discursos, deixando de lado a generalização da forma masculina, foi percebida por “brasileiras e brasileiros” desde o governo José Sarney. Hoje, parece que a adoção desta forma virou obrigatória e até obsessiva: "Pedimos aos presentes e às presentes que se levantem". "Os debatedores e as debatedoras chegarão ao meio-dia."

E é lógico que “reações ao exagero não faltam! Millôr Fernandes dirige-se às ‘pessoas e pessoos’. Veríssimo fala em ‘povo e pova’. Aumenta o número dos temerosos de que cheguemos ao absurdo de distinguir ‘humanidade e mulheridade’ e ‘seres humano e mulherano’. Daí a conclusão dos críticos: ‘Está certo que a língua é viva. Mas isso cheira a Odorico Paraguassu’.”

Por fim, referir-se a “brasileiras e brasileiros” utilizando apenas o termo no masculino – brasileiros, está gramaticalmente correto, “mas escorrega no feministamente correto.” (..) “No discurso, a modernidade recomenda usar o masculino e o feminino. Dando visibilidade a ele e a ela, marca-se, na fala, a igualdade dos dois gêneros.”

SQUARISI, Dad. Blog da Dad. Disponível em http://www.dzai.com.br/blogdadad/blog/blogdaddad. Acesso em: 1º nov. 2010.

http://chargebrasil.blogspot.com/2010/11/dilma-presidente.html

domingo, 10 de outubro de 2010

Pontuação

Aí vai um desafio para quem quiser testar os conhecimentos de pontuação.

Na frase abaixo deverá ser colocado 1 ponto e 2 vírgulas para que a frase tenha sentido. Basta saber em qual lugar caberá o quê.


MARIA TOMA BANHO PORQUE SUA MÃE DISSE ELA PEGUE A TOALHA.


PENSE BEM antes de ver a resposta que está logo abaixo...












RESPOSTA:

Maria toma banho porque sua. Mãe, disse ela, pegue a toalha.

Aqui, o verbo suar é confundido com o pronome possessivo sua. Bendita Língua a nossa!

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A Vírgula



Recebi este texto por e-mail, de uma campanha dos 100 anos da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), e gostei muito. Espero que você também possa apreciá-lo e perceber a importância da pontuação em um texto. Estamos falando da VÍRGULA!



Vírgula pode ser uma pausa... ou não.
Não, espere.
Não espere.


Ela pode sumir com seu dinheiro.
23,4.
2,34.


Pode ser autoritária.
Aceito, obrigado.
Aceito obrigado.


Pode criar heróis.
Isso só, ele resolve.
Isso só ele resolve.


E vilões.
Esse, juiz, é corrupto.
Esse juiz é corrupto.


Ela pode ser a solução.
Vamos perder, nada foi resolvido.
Vamos perder nada, foi resolvido.


A vírgula muda uma opinião.
Não queremos saber.
Não, queremos saber.


Pode custar uma vida:

Prender, não matar.
Prender não, matar.


Uma vírgula muda tudo!

E para terminar, analise esta frase:

SE O HOMEM SOUBESSE O VALOR QUE TEM A MULHER ANDARIA DE QUATRO À SUA PROCURA.

Se você for mulher, certamente colocou a vírgula depois de MULHER.
Se você for homem, colocou a vírgula depois de TEM
.

sábado, 11 de julho de 2009

Você está falando certo?


Será que você pronuncia as palavras de maneira correta?

A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Isto significa que quando cometemos um erro de prosódia, pronunciamos a sílaba tônica de uma palavra de maneira incorreta.

Vamos aos exemplos?

GRATUITO

A sílaba mais forte é “tui” e não funciona como um hiato acentuando-se mais fortemente o “í”, como em gratu-íto.

ALCOÓLATRA

Como indica o acento agudo, a ênfase deve ser no segundo “o” e não no primeiro.

ALGOZ

A pronúncia do “o” em algoz é fechada, como no “o” da palavra “arroz”, e não aberto como na palavra “nozes”.

BOÊMIA

Como indica a própria acentuação, a sílaba forte dessa palavra é na letra “e” e não na sílaba “mi”.

CATETER

Como oxítona, esta palavra tem tonicidade na última sílaba e não na segunda, como muitos pronunciam “cateter”.

EXTINGUIR/DESTINGUIR

O “guir” destas palavras devem ser pronunciadas como em “perseguir” ou “conseguir”.

FLUIDO

Deve ser pronunciado como “cuido”, com sílaba forte no “u”.

HETEROSSEXUAL

A acentuação desta palavra está em “te” e não na primeira sílaba “he”, como muitos preferem falar. Portanto, não existe o hétero, mas o hetero.

IBERO

A ênfase desta palavra está na segunda sílaba, e não na primeira.

ÍNTERIM

Como indica o acento agudo, a tonicidade fica na primeira sílaba, “ín”.

NOBEL

A ênfase deve estar no “bel” e não no “no”. Esta palavra não é acentuada.

PUDICO

A ênfase desta palavra está na sílaba “di” e não na primeira sílaba “pu”. Tampouco ela é acentuada. Significa “aquele que tem pudor”.

RECORDE

Outro exemplo de palavra comumente pronunciada de forma errada. A acentuação é na segunda sílaba e não como pronunciada por muitos jornalistas, “récorde”.

RUBRICA

Esta palavra é uma das recordistas em erros de prosódia. Pronuncia-se com acentuação tônica na segunda sílaba, mas muitos preferem acentuá-la na primeira sílaba, “rúbrica”, um erro fatal ao vocabulário verbal.

RUIM

Quem nunca ouviu a popular expressão “é ruim, hein?” dita a passos largos nos anos 90? Pois é, mas saiba que a acentuação na primeira sílaba “ruim” é condenada pela norma culta, e esta palavra é pronunciada como em “capim”, ou seja, é oxítona.

__


Por fim, não se diz, quando está muito calor:

Eu sôo muito. (errado)

Quem soa é sino; você sua, transpira, portanto:

Eu suo muito. (correto)

__


E então? Aprendemos mais um pouquinho?

Até a próxima!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mais dicas de português para o dia-a-dia nas empresas


Chegamos à última etapa dessa série de dicas contra os erros de português cometidos em empresas, e espero tê-lo ajudado a evitar essas construções que afetam sua imagem dentro do ambiente de trabalho.

Desta vez, começo com uma sugestão de uma colega, postada na seção de comentários da edição anterior, sobre o uso dos porquês. Boa ideia, Roberta! E obrigada!
Então, vamos a ele...

O uso dos PORQUÊS

Quando é causa ou queremos explicar alguma coisa utilizamos PORQUE:

Não foi ao trabalho porque estava doente.

Quando usado como substantivo, devemos escrever PORQUÊ, além de antecedê-lo com artigos:

Quero saber o porquê de ele não ter vindo.

O POR QUÊ acentuado e separado deve ser usado somente no final de frases e acompanhado por pontuação:

Faltou por quê?

Nos questionamentos propostos direta ou indiretamente; em substituição a por/pelo(a)(s)/qual(ais); ou quando a palavra motivo estiver subentendida, utiliza-se POR QUE separado e sem acento:

Por que você não foi?

Não sei as razões por que ele não veio. (= pelas quais)

Não sei por que ele não veio. (= qual motivo)


Advérbios

Muito cuidado ao concordar o advérbio “menos” com o substantivo, pois ele é invariável. Veja:

Havia menas pessoas naquele local. (forma errada)

Havia menos pessoas naquele local. (forma correta)

Atenção! Este advérbio nunca concordará com o gênero e deverá sempre ser utilizado como menos em qualquer situação, pois não existe a palavra “menas” em nenhuma hipótese.


Outro erro recorrente:

São meio-dia e meio. (forma errada)

Temos na frase acima dois erros. O primeiro se refere ao verbo ser:

É meio-dia.
É uma hora. (formas corretas)
São duas horas.

O verbo concorda com o número.

É meio-dia e meia. (forma correta)

Complementando a oração, adicionamos meia hora à afirmativa acima.
Desta forma, vemos que não é correto dizer “meio-dia e meio”, pois não é “meio hora”, mas “meia hora”.

Portanto, lembre-se para não errar:

É meio-dia e meia (hora).


É muito comum vermos o advérbio ou pronome relativo “onde” ser empregado diferentemente da ideia de lugar:

Esta é uma atitude onde se exige experiência. (forma errada)

Esta é uma atitude em que se exige experiência. (forma correta)

A matriz de nossa empresa fica na Capital Federal, onde a maioria de seus colaboradores trabalha. (forma correta)


Fora, Gerundismo!

Hoje em dia parece que os profissionais mais bem preparados neste assunto é o pessoal do Call Center. Isto porque eles passam por um treinamento intenso e esta é uma das principais recomendações a favor do cliente. Afinal, não há nada mais desagradável, além da habitual espera, que o “vou estar transferindo” ou “vou estar enviando”, não é mesmo?
Então, elimine a parceria do “vou + estar + gerúndio”. Isto é capaz de estragar qualquer comunicação empresarial!

(Veja mais sobre este assunto na edição de 15/9/2008 desta coluna)


Existem expressões absolutamente desnecessárias ao texto. Veja:

“A nível de” Administração, entendo tudo sobre BSC. (forma errada)

Entendo tudo sobre BSC. (forma correta)

Ou ainda:

Em Administração, entendo tudo sobre BSC. (forma correta)


“Vimos por meio desta” solicitar o envio das documentações... (forma errada)

Não seria melhor, e mais objetivo, simplesmente:

Solicitamos o envio das documentações... (forma correta)

Seu texto fica mais enxuto e você diz logo exatamente o que deseja, sem rodeios.


Verbo Fazer - Quando concordar com o sujeito?

Ele fez sucesso.
Eles farão aniversário amanhã.

Em seu sentido próprio, o verbo “fazer” concorda com o sujeito, como nos exemplos acima.

Faz cinco anos que trabalho aqui.
Faz muito calor no Rio.
Fazia horas que ela se foi.
Vai fazer dois anos que estamos juntos.
Está fazendo um ano e meio...

Nos exemplos acima há momentos em que o verbo “fazer” expressa fenômeno climático; outros, tempo decorrido. Nesses casos, o verbo não sofre alteração, pois não há sujeito, tornando-se invariável.


Como você pode ver, sugestões são sempre muito bem-vindas...
E você? Tem alguma sugestão para a Passando a Limpo?

Até a próxima!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Dicas de português para o dia-a-dia nas empresas


Na edição passada, quando iniciamos a nossa série de matérias sobre os erros de português cometidos no dia-a-dia nas empresas, nossa colega, Ligia, nos lembrou as dificuldades na utilização dos verbos ratificar e retificar. De fato esta dupla, com significados bem diferentes, costuma causar muito desconforto na hora de ir para o texto ou ser citada em uma conversa. Mas por que isto ocorre? Primeiramente por serem palavras fora do nosso contexto diário, o que faz com que tenhamos sempre que recorrer a nossa memória para buscar seu significado, mesmo que já o tenhamos aprendido. E segundo, porque elas são bem parecidas entre si, tanto na escrita quanto na pronúncia, o que faz com que haja essa confusão. Mas isso também acontece com outras palavras, e pelo mesmo motivo. Sabe por quê? Exatamente por sua semelhança. As palavras capazes de criar esse tipo de confusão têm nome! São as parônimas!

Mas atenção! Parecer não é ser! E o seu discurso pode ficar seriamente comprometido! É o caso de vultoso e vultuoso. É comum ouvirmos vultuoso como sinônimo de volumoso, importante, grande. Na verdade, vultuoso tem outro significado, completamente diferente. Faz referência à vultuosidade (congestão da face) ou a quem tem um rosto grande. Ou seja, você pode ser vultuoso mas, seus ganhos, vultosos.

Eis alguns exemplos de parônimos que causam ruído na informação, caso não esteja bem empregado:

Eminente - alto, elevado; excelente.
Iminente - que ameaça a acontecer em breve.

Descrição - ato de descrever (falada ou escrita)
Discrição - qualidade de ser discreto.

Infligir - aplicar pena, castigo; causar, produzir.
Infringir - violar, transgredir, desrespeitar.

Deferir - atender, despachar favoravelmente.
Diferir - adiar; divergir, discordar; ser diferente.

Ratificar - validar (o que foi prometido); comprovar.
Retificar - corrigir, emendar; restaurar.


Acerca, a cerca ou há cerca?

Acerca de (a respeito de, sobre alguma coisa)

A Seguradora decidirá acerca dos prêmios pagos.


A cerca de (a uma distância qualquer – espacial ou temporal – aproximada de alguma coisa)

Os economiários entraram em greve a cerca de uma semana do início do ano.


Há cerca de (faz aproximadamente, faz perto de, existem aproximadamente)

A reunião teve início há cerca de vinte minutos.

Há cerca de trinta pessoas na reunião.


Afim ou a fim?

Afim (parentesco ou parente por afinidade; sinônimo de semelhante, análogo)

Objetivos afins.


A fim de (que) (sinônimo de “para que”, “para qual finalidade”)

O advogado poderá renunciar ao mandato a fim de que lhe nomeie sucessor.


Um erro de português que de vez em quando ainda ouço nos dias de hoje são as expressões:

Eu tinha trago a documentação. (forma errada)
Eu tinha chego atrasado. (forma errada)
Eu tinha compro um carro. (forma errada)

Creio que este erro ocorra talvez por soar “mais agradável” aos ouvidos do falante do que as corretas orações:

Eu tinha trazido a documentação. (forma correta)
Eu tinha chegado atrasado. (forma correta)
Eu tinha comprado um carro. (forma correta)

Mas com certeza você poderá surpreender e até ferir os ouvidos do seu interlocutor, além de desprestigiar a empresa onde trabalha. Mas antes de explicarmos este assunto, vamos nos recordar dos particípios de acordo com os verbos regulares e irregulares. Então a pergunta é:

Salvo ou salvado?
Imprimido ou impresso?
Aceito ou aceitado?

Os particípios regulares (salvado, imprimido, aceitado) são acompanhados pelos verbos auxiliares ter e haver.

Já os particípios irregulares (salvo, impresso, aceito) são acompanhados pelos verbos auxiliares ser e estar.

DICA:
Veja que os particípios irregulares parecem mais “enxutos” que os regulares. Isto já serve para que você memorize. Alie esta informação à de que estes particípios estão sempre em parceria dos auxiliares ser e estar (o verbo TO BE, em inglês).

Eu havia imprimido aquele ofício.
Tinha salvado aquele arquivo.
Havia aceitado o seu convite.

O ofício foi impresso naquela máquina.
O e-mail foi salvo na pasta.
Foi aceito o convite.

Exceção:
Os verbos ganhar, gastar e pagar devem ser usados somente na sua forma enxuta, independentemente de seus auxiliares. Portanto, é válido as formas ganho, gasto e pago e evite, sempre que possível, as formas ganhado, gastado e pagado.

Já os verbos trazer, chegar e comprar não possuem o particípio irregular, devendo somente ser usados em sua forma regular: trazido, chegado e comprado.

Mas essas conjugações não existem? Sim, elas existem. Mas não junto aos verbos compostos. Veja:

Formas corretas:

Chego hoje a Brasília.
Trago boas notícias.
(Os verbos chegar e trazer no presente do indicativo, na 1ª pessoa do singular).

Quando trago a fumaça, fico com tosse. (verbo tragar)


Por hoje é só! Na próxima edição continuaremos a explorar a utilização do português na linguagem empresarial.

Aproveite as dicas e um grande abraço!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Os erros de português que afetam a imagem da empresa


Atualmente, temos percebido o quanto as mensagens por e-mail têm facilitado nossa vida no trabalho. As informações chegam mais rápido, embora isso não pareça fazer diferença. Quantas vezes recebemos mensagens que não dão atenção à ortografia (ancioso no lugar de ansioso; excessão e não a correta grafia em exceção...); à próclise indevida (me chamo Fulano.); à falta de acentuação nas palavras (importancia); ao uso de maiúsculas em substantivos simples (Janeiro, Fevereiro...) e de minúsculas em começos de frases e nomes de disciplinas, por exemplo, e à falta de pontuação (eu faço administração)...

Nesta edição, começaremos a abordar a utilização da linguagem no nosso dia-a-dia dentro da empresa. Aquela que funciona como cartão de visita, e que por isso, pode ser usado a favor ou contra a instituição que o utiliza – os vícios, os erros, as más construções. Tudo o que pode afetar negativamente a nossa imagem, e principalmente, a imagem da empresa no ambiente corporativo e nas negociações com outras companhias.

O português bem empregado não é luxo de uma minoria, mas credibilidade em nossos negócios e comprometimento com a empresa.

Para isso, dividimos este assunto em três partes, que apresentaremos nesta edição e nas duas próximas, a fim de explorarmos plenamente todos os problemas identificados em nossa comunicação empresarial.


Então, vamos às dicas...

• A conjunção “enquanto” usada no lugar de “como”.

É errado dizer, portanto:

Fulano, enquanto gerente, investe na empresa.

O certo seria usá-la com noção temporal:

Enquanto assistíamos à reunião, chovia lá fora.


• A utilização inadequada da locução adverbial “junto a”.


É errado dizer:

Vamos resolver isto junto à corretora.

Entrou com recurso junto à seguradora.

O certo seria:

Vamos resolver isto com a corretora.

Entrou com recurso na seguradora.

“Junto a” tem sentido físico, significando “ao lado”, “próximo a”, “perto de”:

O diretor estava junto ao presidente da empresa.


• A concordância do verbo “haver”.


É errado flexionar o verbo “haver” quando quisermos indicar tempo passado ou em substituição aos verbos “existir”, “ocorrer”, “acontecer”.

Portanto, é errado dizer:

Houveram muitos acordos na empresa.

Devem haver
mais promoções.

O certo seria:

Houve muitos acordos na empresa.

Deve haver mais promoções.


• A utilização do pronome demonstrativo “mesmo” como pronome pessoal.

Erro bastante comum nos dias de hoje, o pronome “mesmo” não deve ser utilizado em substituição a “ele”. É errado, portanto:

Os dossiês foram encaminhados e os mesmos deverão ser protocolados.

Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo se encontra neste andar.

O certo seria:

Os dossiês foram encaminhados e deverão ser protocolados. (Não ficou claro o que deverá ser protocolado?)

Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra neste andar.

Ou ainda, e mais simples:

Antes de entrar, verifique se o elevador se encontra neste andar. (Não está claro aonde se vai entrar?)



• É redundante, embora bastante comum, a expressão:


Segue em anexo o relatório. (errado)

Bastaria:

Segue o
relatório. (correto)

Lembramos que “anexo” concorda sempre com o substantivo:

Anexos relatórios. (correto)

Cópias anexas. (correto)



E você? Conhece algum erro de português cometido com frequência no dia-a-dia de uma empresa?

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O Hífen na Reforma Ortográfica


Usado para separar sílabas, ligar pronomes átonos ao verbo, compor conjuntos de letras e números ou para formar palavras compostas, o hífen é, ao lado da crase e das concordâncias, uma das maiores dificuldades dos falantes da língua portuguesa na hora da escrita.

O Acordo Ortográfico quis simplificar seu uso, mas é certo que ainda haverá algumas dificuldades a serem vencidas... Mas tudo bem! Afinal, temos até 2012 para nos adaptarmos à reforma. Quem largar primeiro leva vantagem! Você quer fazer parte dessa equipe? Então vamos lá!

O hífen está presente:

• Em palavras compostas que constituem unidade sintagmática e semântica e nas que designam espécies:

ano-luz, azul-escuro, médico-cirurgião, conta-gotas, guarda-chuva, segunda-feira, tenente-coronel, beija-flor, couve-flor, erva-doce, bem-te-vi.

• Nas palavras que venham após os prefixos além, aquém, ex, pós, pré, pró, recém, sem, soto, vice:

além-mar, aquém-oceano, ex-marido, pós-graduação, pré-natal, pró-reitor, recém-casado, sem-terra, soto-mestre, vice-presidente.

• Em todos os prefixos seguidos por palavras iniciadas por h:

anti-herói, anti-higiênico, super-homem, micro-história, extra-humano, co-herdeiro, proto-história, semi-herbáceo, sobre-humano, ultra-heróico

(exceção: subumano).


• Em prefixos terminados em vogal seguidos por palavra começada pela mesma vogal:

anti-inflamatório, auto-observação, arqui-inimigo, contra-ataque, micro-ondas, micro-ônibus, semi-internato

(exceção: co- se junta ao segundo elemento mesmo quando ele acaba com o: coordenar, coobrigação) .


• Em prefixos terminados por consoante seguido de palavra começada pela mesma consoante:

hiper-rico, inter-racial, sub-bloco, super-resistente, super-romântico

(O sub vai além. Usa hífen com palavra iniciada por r: sub-região, sub-raça.).


• Nos sufixos de origem tupi-guarani:

açu, guaçu e mirim: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.


• Em palavras formadas pelos prefixos circum e pan junto a palavras iniciadas em vogal, M, N e H:

pan-americano, circum-navegação, circum-escolar.

• Com topônimos iniciados por grão e grã e forma verbal ou elementos com artigo:

Grã-Bretanha, Santa Rita do Passa-Quatro, Baía de Todos-os-Santos, Trás-os-Montes.

• Com os advérbios bem e mal em que o segundo elemento for iniciado por vogal ou h:

bem-aventurado, bem-humorado, mal-educado, mal-estar.

Obs: O advérbio bem, ao contrário de mal, pode não se aglutinar com palavras iniciadas por consoante, visto que, em português, o m só é usado antes de p e b, como por exemplo: bem-criado (mas malcriado), bem-falante (mas malfalante), bem-visto (mas malvisto).

Mas até nestes casos existem as exceções. É o exemplo de muitos compostos em que o bem aparece aglutinado com o segundo elemento, quer este tenha ou não vida à parte, sofrendo a alteração da letra m pela letra n: Benfazejo, benfeitor, benfeitoria, benquisto.

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O hífen NÃO está presente:

• Quando o prefixo termina em vogal diferente da vogal com que se inicia o segundo elemento:

aeroespacial, agroindústria, antieducação, autoescola, autoafirmação, autoajuda, autoestrada, coedição, coautor, contraindicação, contraordem, extraescolar, infraestrutura, intraocular, neoexpressionista, plurianual, semiaberto, semiautomático, semiárido, supraocular, ultraelevado.
Obs: esta nova regra vai uniformizar algumas exceções já existentes: antiaéreo, antiamericano, socioeconômico, extraordinário...


• Em palavras formadas por prefixo terminado em vogal + palavras iniciadas por r ou s, sendo que estas devem ser dobradas para que se mantenha a pronúncia:

antessala, antirrábico, antirrugas, antissocial, autorretrato, autorregulamentação, arquirrival, biorritmo, contrassenso, extrarregimento, extrassístole, extrasseco, infrassom, infrarrenal, microssistema, minissaia, multirrisco, neossocialismo, semirrobusto, suprarrenal, suprassensível, ultrarrigoroso, ultrassom.


• Quando se perde a noção de palavra composta, formando uma significação própria:

paraquedas, paraquedista, mandachuva, parachoque, paralama, parabrisa, rodaviva, cabracega, ferrovelho, bateboca, tocafitas.

• Em locuções de qualquer tipo (substantivas, adjetivas, pronominais, verbais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais):

cão de guarda, fim de semana, café com leite, pão de mel, sala de jantar, cartão de visita, cor de vinho, à vontade, abaixo de, acerca de...

(exceções: água-de-colônia, arco-da-velha, cor-de-rosa, mais-que-perfeito, pé-de-meia, ao-deus-dará, à queima-roupa)


CURIOSIDADE:

Você sabia que hífen só possui acento no singular? Pois é, quando esta palavrinha vai para o plural ele perde o acento gráfico.

Veja: HÍFEN – HIFENS

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Reforma Ortográfica


As mudanças no Português, previstas já para 1° de janeiro de 2009, afetarão nossa língua escrita, não comprometendo a língua falada. Trata-se de um Acordo Ortográfico, assinado pelos países de mesmo idioma, com o objetivo de unificar a ortografia desta que é a terceira língua ocidental mais falada no mundo, a nossa Língua Portuguesa.

Para facilitar a compreensão, expus apenas as sentenças já com as mudanças, e não com os exemplos comparativos como eram antes, visto que vários guias de orientação estão sendo cada vez mais difundidos. Desta forma, preparei um material simples e objetivo, fugindo das convenções e apenas trazendo exemplos aplicáveis ao nosso dia-a-dia.


Dividi a exposição das mudanças em duas partes – a 1ª apresentada nesta edição de novembro; e a próxima exclusivamente sobre as mudanças quanto ao uso do hífen, na 2ª e última parte, na edição de dezembro.

Preparado?

O Alfabeto

Km (símbolo de “quilômetro”)
Darwinismo (derivado de nome estrangeiro)
Yuri (nome próprio)

Se elas são utilizadas em nossa língua, por que não reintroduzi-las em nosso alfabeto? Por isso, reconquistamos as letras K, W e Y, que faziam parte do abecedário antigo, e ficamos novamente com as 26 letrinhas no nosso alfabeto.

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O Trema

Müller comprou linguiças a cinquenta reais.

O trema deixa de existir nas palavras em português, mas continuam em nomes próprios, palavras estrangeiras e suas derivações.

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A Acentuação

1 - Dar uma joia é uma ótima ideia!

Os ditongos abertos ei e oi não são mais acentuados nas palavras paroxítonas (aquelas com tonicidade na penúltima sílaba).

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2 - Eu abençoo aqueles que creem.

Não se usa mais o acento circunflexo (^) nas palavras terminadas em eem e oo(s).

________


Ele tem irmãos. Eles têm irmãos.

Ele vem de longe. Eles vêm de longe.

Ele mantém a palavra. Eles mantêm a palavra.

Ele convém aos estudantes. Eles convêm aos estudantes.

Permanecem os acentos que diferenciam o singular do plural dos verbos ter e vir, assim como seus derivados.

________

3 - Ele para o carro para jogar polo.
Achei um pelo de gato na pera.

Não existe mais o acento diferencial em palavras homógrafas (com mesma grafia), que antes diferenciavam verbos, substantivos e preposições.

Ontem, ele não pôde sair, mas hoje ele pode.
Porém, permanece o acento do verbo pôde (passado) para diferenciá-lo do verbo pode, no presente.
Vou pôr o livro na estante que foi feita por mim.
Também permanece o acento do verbo pôr para diferenciá-lo da preposição por.
Qual a forma da fôrma do bolo?
É opcional o uso do acento circunflexo que diferencia as palavras forma e fôrma, mas em alguns casos sua utilização torna a frase mais clara.

________


4 - Que feiura as atitudes daquele caiula!
Não se acentua mais o i e u tônicos em paroxítonas precedidas de ditongo.

Edição publicada em 14/11/2008

Baseado em "Fatos Reais"


O mais bacana de aprender bem uma língua é brincar com a infinidade de artifícios que ela nos proporciona. Se não conhecemos os atributos da gramática, ficamos limitados até em satirizar a própria língua! E vemos tantas “sacadas” inteligentes que algumas pessoas fazem com o Português...

Nesta edição, falaremos sobre o Pleonasmo, um vício de linguagem que proporciona muitas situações engraçadas e que nos faz ouvir, ou dizer, as famosas redundâncias subi pra cima ou desci pra baixo, uniões totalmente dispensáveis, pois basta um desci para sabermos que é para baixo; ou um subi, que logicamente é para cima. Mas existem outras que passam quase que completamente despercebido por muitos de nós, e somente um falante muito atento poderia reconhecer, nessas expressões, um pleonasmo. Você saberia identificar um? Vejamos se esta resposta é sim:

Acabamento final
Almirante da Marinha
Antecipar para antes
Caligrafia bonita
Conclusão final
Consenso geral
Conviver juntos
Criar novos
Dar de graça
Elo de ligação
Encarar de frente
Enfrentar de frente
Erário público
Experiência anterior
Fato real
Ganhar grátis
Há anos atrás¹
Hábitat natural
Hemorragia de sangue
Inaugurar novo
Lançar novo
Manter o mesmo
Metades iguais
Monopólio exclusivo
Novidade inédita
Panorama geral
Países do mundo
Pequenos detalhes²
Prefeitura Municipal
Protagonista principal
Regra geral
Repetir de novo
Sorriso nos lábios
Sua própria autobiografia
Surpresa inesperada
Viúva do falecido

Mas o que é o Pleonasmo?

Pleonasmo é o uso da expressão redundante. Nos exemplos acima, utilizamos vários tipos de pleonasmo vicioso, que é a repetição desnecessária de algum termo ou idéia numa frase.
Além desse tipo de redundância, temos o pleonasmo literário, ou estilístico, que serve para realçar uma idéia, e, portanto, funciona como figura de linguagem. Este recurso é utilizado por vários escritores para enfatizar algo no texto. São exemplos de pleonasmos aceitáveis:
Chovia uma triste chuva de resignação.” (Manuel Bandeira)
“E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto.” (Vinícius de Morais)

¹ Licenças poéticas utilizadas nas músicas “Eu nasci há 10 mil anos atrás”, de Raul Seixas; e ² Detalhes, de Roberto Carlos.

Assista ao vídeo sobre Pleonasmo abaixo, pois não há maneira melhor de se aprender um assunto do que se divertindo com ele:




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E na próxima edição...

Precisamos entrar o ano novo com o pé direito e de olho na reforma ortográfica, prevista para entrar em vigor já em 1º de janeiro! E a Tirando a Limpo traz tudo o que você deve saber sobre as mudanças na Língua Portuguesa!

Edição publicada em 14/10/2008

Como surgiu a expressão...


PAGAR O PATO
Existe mais de uma versão para a origem dessa expressão, que hoje significa: arcar com as conseqüências de ações e atitudes de outras pessoas. Uma delas conta que numa brincadeira antiga, um pato era amarrado a um poste. Os participantes deviam correr até o poste e cortar as amarras que prendiam o animal de um só golpe. Quem não conseguisse deveria pagar o pato.

SANTO DO PAU OCO
Utilizada normalmente para designar pessoas falsas, relatos contam que a expressão pode ter surgido em Minas Gerais, entre o final do século XVII e o início do século XVIII, no Período Colonial. Para driblar a cobrança do "quinto", o imposto de 20% que a Coroa Portuguesa cobrava de todos os metais preciosos garimpados no Brasil, santos em madeira oca eram esculpidos e, posteriormente, recheados de ouro em pó! Daí, santos do pau oco...

O CONTO DO VIGÁRIO
Cair no “conto do vigário" significa levar um golpe de esperteza, e uma das histórias mais conhecidas sobre a origem dessa denominação, teria como palco uma disputa entre dois vigários em Ouro Preto, no século XVIII. Um dos vigários teria proposto que amarrassem a santa num burro que estava solto na rua. Pelo plano, o animal seria solto entre as duas igrejas. A paróquia que o burro tomasse a direção ficaria com a imagem. O animal foi para a igreja de Pilar, que acabou ganhando a disputa. Mais tarde teria sido descoberto que o burro era do vigário dessa igreja.
Em Portugal, a expressão tem uma versão mais apropriada para o assunto. Um golpe aplicado no século XIX teria sido o responsável pela má fama dos vigários. Alguns malandros chegavam a cidades desconhecidas e se apresentavam como emissários do vigário. O grupo afirmava que tinham uma grande quantia de dinheiro numa mala que estava bem pesada e que precisaria guardá-la para continuar viajando. Mas, como garantia, solicitavam aos moradores da cidade uma quantia de dinheiro para viajarem tranqüilos. E assim desapareciam. Quando a população abria a maleta descobria um monte de bugigangas sem valor. Estava em prática o conto do vigário!

Dica de leitura: A coluna O Berço da Palavra, de Márcio Cotrim, todos os domingos no Correio Braziliense.

Edição publicada em 14/10/2008

Gerundismo e Palíndromos


Tenho recebido muitos pedidos para escrever sobre um assunto bastante recorrente nos dias de hoje. E, apesar de já tê-lo mencionado em uma coluna que escrevi para o Bom de Papo, ainda no antigo formato, no início de 2005, percebo que existem certos temas que nunca é demais voltar a abordá-los! Trata-se de um vício da linguagem moderna denominado GERUNDISMO, e que eu, com prazer, volto a escrever com nova roupagem especial para o Blog:

Vou estar transferindo a ligação...
Vou estar repassando a mensagem...
Vou estar enviando o contrato...

Quem nunca ouviu por aí expressões como estas acima?

Acho que todos nós, se não falamos, pelo menos já ouvimos a insistente leva dos “vou estar + verbo no gerúndio”, não é mesmo? Pois saiba que a esta composição do “vou estar fazendo...” denominamos GERUNDISMO.

O gerundismo é o uso exacerbado e desnecessário do gerúndio, precedido de um verbo mais seu auxiliar, em uma oração.

Ao invés disso, não seria preferível dizer:

Vou transferir a ligação...
Repassarei a mensagem...
Vou enviar o contrato...
Parece simples, não?


Mas, afinal, por que esta junção verbal com o gerúndio tomou conta das conversas, e hoje corre de boca em boca, invadindo os nossos ouvidos?

Bem, tem-se atribuído isso à influência da língua inglesa no Brasil e sua tradução malfeita, que acabou por sair dos manuais diretamente para as centrais de atendimento ao cliente por telefone. Vejamos os exemplos a seguir:

“I am going to do something.” – Tradução literal: “Estou indo fazer algo.”

“We will be sending you the catalog soon” – Tradução literal: “Nós estaremos lhe enviando o catálogo em breve.” ou “Nós vamos estar lhe enviando...”

Mas atenção! Não confunda o abuso da utilização do gerúndio, com o uso devido desta forma nominal! Conheço patrões que, desesperados com a proliferação do gerundismo, têm levantado a bandeira contra o gerúndio, pobrezinho! O gerúndio não é o culpado pelo seu mau uso. Ao contrário, ele é bastante apropriado nos casos em que se necessita transmitir a idéia de movimento, de progressão, duração, continuidade, podendo ainda ser acompanhado por verbos auxiliares:


Os preços estão subindo todos os dias.
Andaram falando mal de ti.
Aos poucos ela vai ganhando a confiança do patrão.
A noite vai chegando de mansinho.


Com base nessas informações, você saberia informar em quais orações o gerúndio está empregado corretamente, e quais as que não? Veja se consegue identificar¹:

1 - Em virtude do atraso, estaremos recebendo o pagamento em conta corrente nos dias 27 e 28. ( )
2 - – Podemos nos encontrar no fim-de-semana?
– Infelizmente não, pois vou estar viajando. ( )
3 - Em outros artigos ela estará dando maior atenção a cada um desses temas. ( )
4 - Ela deve estar fazendo as tarefas de casa agora. ( )
5 - Vou aproveitar o 13º para estar pagando tudo. ( )
6 - Concomitantemente, temos que estar discutindo e reconstruindo um currículo escolar que venha a ser um instrumento de formação integral. ( )
7 - Estes temas devem servir para estarmos aprofundando as discussões. ( )
8 - Nossos atendentes vão estar efetuando a cobrança somente em maio. ( )


¹Resposta: As 4 primeiras questões estão escritas corretamente e as 4 últimas empregadas com gerundismo.

Fonte dos exercícios e demais consultas: Profª. Maria Tereza de Queiroz Piacentini http://www.linguabrasil.com.br

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Curiosidade - Palíndromo

Leia a frase abaixo:

SOCORRAM-ME, SUBI NO ÔNIBUS EM MARROCOS

Agora a transcreva de trás pra frente, letra por letra. Desconsidere a acentuação.

Surpresa!!! Ela ficou igualzinha, não foi???

Pois é... A este recurso lingüístico, mais comum à Literatura, dá-se o nome de PALÍNDROMO – palavra, frase ou número que mantém igual sentido quando lida de trás pra frente.

E isso não é privilégio exclusivo de nossa língua portuguesa! Podemos encontrar palíndromos nos mais diversos idiomas, provavelmente por ser uma forma bastante eficaz de memorização.

Veja mais alguns exemplos:

ANOTARAM A DATA DA MARATONA
A TORRE DA DERROTA
O LOBO AMA O BOLO
O ROMANO ACATA AMORES A DAMAS AMADAS E ROMA ATACA O NAMORO

Quer mais? Acesse a Wikipédia e confira a listagem de palíndromos disponíveis: http://pt.wikipedia.org/wiki/palíndromo

E que tal agora você criar o seu próprio Palíndromo?

Edição publicada em 15/9/2008

Eu tenho medo do MESMO!


Na edição anterior, instigamos nossos colegas a descobrir mais erros no texto enviado por fraudadores utilizando-se do nome da Receita Federal. E foi destacado o erro “...e quais providências à tomar...” Nosso colega acertou em cheio! E ainda nos explicou o porquê de estar errado, pois “como não podemos aplicar artigos antes de verbos, a crase se torna inviável.” É isso aí!

Mas falaremos deste assunto em uma edição próxima, pois crase é uma das questões mais discutidas na hora de redigirmos nossos textos e isto nos demanda mais tempo...
Além deste erro, os criminosos ainda escreveram receita com inicial minúscula! Ora, sabemos que todo nome próprio, quando não substantivado, escreve-se com inicial maiúscula! Como se trata de um Órgão do governo, a Receita Federal, e não de uma simples receita - de bolo, por exemplo, ela deveria ter sido escrita: “...execute o verificador da Receita preenchendo as informações...” Mas este assunto também merece destaque em uma edição posterior.
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Nesta edição em especial, gostaria de dar ênfase a um assunto que invade milhares de textos corporativos, além de, inclusive, estar estampado em elevadores...
A propósito, quem nunca se deparou com a famosa frase:

"Antes de entrar no elevador, verifique se o mesmo encontra-se parado no andar.”???

Cruzes! Dá até arrepios! Quem será esse mesmo? Será algum monstrinho que perambula pelos andares? Lembre-se que a placa nos aconselha a verificar se o “mesmo” está parado no andar antes de entrarmos no elevador, portanto, cuidado!

Até no maior site de relacionamentos da Internet existe uma comunidade em torno do assunto. Chama-se “Eu tenho medo do mesmo”. É fantástica a criatividade desses internautas, que exploraram o famoso erro criando uma comunidade em que satirizam o emprego inadequado do “mesmo”.

Mas, afinal, quando devemos utilizar o “mesmo”? E mais: Por que a inscrição no elevador não está correta?

O erro ocorre porque a palavra “mesmo” não deve ser utilizada como pronome pessoal, apenas como pronome demonstrativo, pois sua função é a de retomar uma oração ou reforçar um termo de natureza substantiva.
Exemplo correto do emprego do mesmo:

O chefe é competente em seu trabalho e espera que eu faça o mesmo.

O mesmo na frase acima equivale a isso, e por este motivo é utilizado de forma correta evitando a repetição do conteúdo da oração anterior. Ou seja, quer dizer que o chefe espera que eu também seja competente em meu trabalho, que eu faça o mesmo que ele faz.


Exemplo incorreto do emprego do mesmo:

O segurado afirmou conhecer a nova apólice e a alteração da mesma.

Já neste caso, o pronome toma o lugar de nova apólice, devendo, portanto, ser substituído por um pronome equivalente:

O segurado afirmou conhecer a nova apólice e sua alteração.

Mas por que este erro é tão recorrente?

Algumas pessoas recorrem a ele para evitar a repetição, já que o pronome ele(a)(s) deve ser administrado com cautela, e isso nos dá a falsa impressão de que a frase: “Reuni-me com o gerente e o mesmo afirmou...” está seguindo os padrões da norma culta, quando, verdade, é um recurso deselegante para a nossa Língua.

Mas, então, como deveria ser a inscrição do elevador?

Bastaria:

"Antes de entrar no elevador, verifique se ele se encontra parado no andar.”

Ou ainda:

"Antes de entrar, verifique se o elevador encontra-se parado no andar.”

Outras dicas para não temer o "MESMO":

Para dar reforço à frase:

"Ele (ou ela) mesmo (ou mesma) recebeu convidados"

Como adjetivo, se comparando a qualidades de um mesmo ser:

"A leitura é ela mesma infinita."

Composto por subordinação (as formas reduzidas são mais enfáticas):

"Mesmo ferido no braço, o assaltante voltou para a sala de projeção e assistiu ao fim do filme."

Como advérbio:

Expressões como "dar na mesma"; "na mesma" ou "dar no mesmo" indicam o sentido de "no mesmo estado":

"A situação continua na mesma".
"Com rendimentos tão baixos, deixar o dinheiro na conta corrente ou na poupança dá no mesmo."

"Ele recebeu os primeiros socorros próximo à praia, mas como seu estado era bom, foi liberado ontem mesmo."

Edição publicada em 7/8/2008

Falso informativo da Receita


Mais uma quadrilha desbancada graças à Língua Portuguesa

No mês passado fomos alertados pela empresa para ignorar uma mensagem veiculada na Internet, em nome da Receita Federal, comunicando a pendência do contribuinte junto ao IRPF 2008.

A falsa mensagem foi anexada ao comunicado para que tomássemos conhecimento de seu conteúdo. Foi então que me deparei com uma série de evidências que, de fato, não poderia ter sido enviada por um Órgão do governo.
Leia a mensagem abaixo e veja se consegue identificar os erros que esses incautos fraudadores cometeram:



Brasília, 15 de Maio de 2008
Informamos que seu CPF se encontra pendente de regularização.
O motivo da pendência foi a irregularidade em seu Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), a qual motivou a suspenção do mesmo, e também de seu título eleitoral. O erro foi apurado no dia 25 de abril de 2008, na apuração do IRPF2008.
Para saber mais detalhes sobre esta irregularidade, e quais providências à tomar, execute o verificador da receita preenchendo as informações pedidas quando necessário.
Após clicar no link, será exibida uma janela, onde a opção “Salvar” deve ser clicada, de acordo com a figura abaixo:

Download do Programa IRPF 2008


Caso o link acima não funcione Clique Aqui.





Vejamos o primeiro:

“... a qual motivou a suspenção...”

“Suspensão” com “cê-cedilha”? Que feio não?
Mas você sabe por que “suspensão” se escreve com “s”?
Suspensão se escreve com “s”, como todos os substantivos derivados de verbos terminados em "ender", "verter" e "pelir":

SUSPENDER / SUSPENSÃO
COMPREENDER / COMPREENSÃO
PRETENDER / PRETENSÃO
REVERTER / REVERSÃO
CONVERTER / CONVERSÃO
EXPELIR / EXPULSÃO
REPELIR / REPULSÃO
Já os substantivos derivados dos verbos "ter" e "torcer", mais seus derivados, são escritos com “cê-cedilha”:
ABSTER / ABSTENÇÃO
ATER / ATENÇÃO
DETER / DETENÇÃO
MANTER / MANUTENÇÃO
RETER / RETENÇÃO
TORCER / TORÇÃO
DISTORCER / DISTORÇÃO
CONTORCER / CONTORÇÃO

Bacana, não? Já aprendemos uma boa regrinha, não é mesmo? E mais uma vez, como na edição anterior, os bandidos são “pegos” graças aos tropeços na Língua Portuguesa!
Mas você pensa que é só? Nada disso. Ainda neste texto temos outros errinhos para destacar. Você consegue descobrir quais são?

Mas falaremos disso apenas na próxima edição.

Grande abraço!

Edição publicada em 19/6/2008

Pegadinhas Ortográficas


Acontecimentos nacionais também trazem inspirações para esta coluna. Foi o caso de uma quadrilha presa, no final do ano passado, por atentado ao português! É que eles escreveram impório no furgão utilizado no crime e a polícia não os perdoou! Mas justiça seja feita, o nosso idioma trai até mesmo os mais experientes! Observe as palavras abaixo e perceba se você próprio já não caiu nas artimanhas do nosso idioma:

empório, e não impório;
empecilho, e não impecilho;
invólucro, e não envólucro;
superstição, e não supertição;
supérfluo, e não supérfulo;
beneficente, e não beneficiente;
asterisco, e não asterístico;
cadarço, e não cadaço ou cardaço;
sobrancelha, e não sombrancelha;
mortadela, e não mortandela;
casa geminada, e não germinada

Edição publicada em 7/5/2008